Pois é, isso é uma carta pra você
amada irmã! Lembra que você disse que éramos como irmãs? Nunca fomos como irmãs
não é? Já fomos algo parecido pelo menos com amigas? É talvez sim... Nós íamos
a danceterias juntas, nós falávamos sobre meninos, você tentava me ensinar aqueles
passos de dança que estavam na moda os iguais os das strepes... E ai eles já
fizeram você ganhar algum dinheiro? Acho que não... Muito baratos até para
você...
Mas bem, não estava escrevendo
isso com a intenção de ofender você... Tarde de mais não é? Triste... Não! Não
eu como você disse que eu seria e sim você! Pelo menos na minha concepção e até
em minhas lembranças. Estranho como vim a lembrar de você, estava eu quieta no
meu canto, escrevendo uma cartinha para uma... “Amiga”... E “bum!” veio você as
minhas lembranças... Estranho, eu estava contando uma verdade para a moça em
uma carta, não foi assim que você disse que não iria mais ser minha amiga? É
foi sim, muito obrigado! Se não fosse por suas palavras talvez hoje me faltasse
elas parar escrever meu nome em uma linha.
Lembro-me bem que você nunca quis
brincar de boneca comigo, afinal eu já era sua boneca, você me manejava como
lhe caia melhor, eu era patética assumo. E realmente sou grata por me fazer
inúmeras vezes ir buscar a bolinha! Por causa delas que hoje tenho dentes
fortes e afiados para morder todas as criaturas iguais a você.
...
O dia tinha acabado de amanhecer,
e ela estava com o cabelo completamente emplastado de uma gosma vermelha
vibrante. Sentada ao vão do corredor perto da porta do banheiro roxo de sua
casa simples. Segurando sua habitual caneta velha e uma folha amarelada que
havia achado uns dias atrás quando fazia uma arrumação. Ao seu lado estava uma
enorme taça de sorvete de creme incrementado com biscoitos e canela em pó, uma
coisa que ela amava era canela no sorvete.
...
Lembro-me bem de muitos dias que
passamos juntas, brincando no seu terraço! Eram medíocres nossos sonhos de ser
conhecidas deu uma forma tão normal. Graças a você my dear, hoje tenho muito
mais que eu tinha parar oferecer, e eu agradeço de mais a você por ter me
largado com uma boneca velha e sem utilidade! Por que hoje em dia encontrei
fada azul, não a verde, e ai a bonequinha vira menina! E a menina cresceu...
Com certeza graças a você tudo aconteceu! Sinta se muito importante! Você foi
aquela que mudou minha vida! Com esse seu nominho dissílabo simples...
Ruiva, loira ou morena, você
sempre estará na minha memória como atrizes de novelas antigas ficam em murais
amarelados e com as bordas rasgadas... O estrelato baby sempre acaba! A única
verdade real e a vida... Essa acontece sim! Você pode vivê-la como se fosse um
filme adolescente americano ou simplesmente vive-la! De uma forma menos vulgar
e clichê. Difícil né? Imagino que seja...
Já se passaram muitos anos dês
que tudo aconteceu... Eu estava na sua formatura, não por sua causa, obvio! Mas
eu acabei vendo sua mãe, seu pai e seu irmão mais novo! Não tenho certeza se te
vi... Acho que deixei de te ver no dia que li aquelas ultimas linhas... É um simples fato inesquecível. Não se
preocupe... Você é já não é um fato... Foi um erro patológico do meu destino!
Só estava lá como pecinha pra me fazer enxergar a verdade!
Mas não vamos falar sobre mim não
é? Sei como esse assunto lhe cansa! Mas então... Como esta sua vida? Tem lido o
jornal ultimamente? Formou-se em alguma coisa? Sabe aquela revista que você
ama? Escrevi uma matéria para ela outro dia ai... Era: “como saber se você é
bem vinda” você leu isso? Ah! Claro! Sem você eu nunca saberia isso! Ou teria a
mínima idéia que deveria escrever coisas!
Obrigada por tudo!!! Sem você
queridinha eu nunca seria nada! Mas obrigada principalmente por ter saído e não
ter olhado para trás! Obrigada também por não ter posto a culpa na menina de
sobrancelha estranha sua amiga! Se é que você tinha mesmo alguma nessa época
não é!
Um aceno de cabeça bem de
longe...
Ass.: RED doll
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